Ainda hoje me apeteceu mudar a minha vida toda.
Ser diferente, numa escala jamais vista. Ou talvez pouco estudada, tanto faz, eu nem ligo.
Hoje acordei com a planta dos pés absurdamente afixadas no chão de madeira do meu quarto. Um choque de realidade esperado.
Hoje eu desejei não ter o corpo tatuado, nem os cabelos coloridos.
Quis ser natural ou bem mais do que eu sou agora.
Prometi não mais ter pena de mim. Devorar informações de qualquer ângulo.
Abandonar velhos hábitos. Os bons também, porque não?
É uma vontade tão grande de não ser mais eu, que dói aqui, pros lados da dorsal e que faz pousar os pés no chão, com finíssima convicção de que este dia não passará.
Hoje apeteceu-me mudar tudo e a minha grande dúvida foi, por onde começar ? Devo mudar tudo à minha volta na esperança que eu me mude também? Ou devo mudar para que tudo mude à minha volta?
Mudar as coisas que me cercam, levaria bem menos tempo e daria menos trabalho, do que re-moldar a minha personalidade freak.
Se refazer, reconstruir-se é doloroso, bem mais do que fazer um canal no dente. Péssima comparação, eu sei. Mas são as únicas das quais disponho, são as únicas que vivi.
Tentar ser o que não é, implica perder a identidade. Que talvez outras pessoas gostem. Ou que, nem tanto assim. Mas o talvez fica bom nessas frases.
Posso ser eu até o fim da vida e com isso ganhar fama de insuportável, anti-social, louca.
Ou parar por aqui, ser só um ponto final. O fim.